Home S-10 e Ushuaia - Uma Aventura Possível1

    América do Sul - Ushuaia, Argentina

   MAR/2002
  
Viagem em uma Pick-Up S-10, de Niterói a Ushuaia, retornando pelo Deserto de Atacama, no Chile.

 


S-10 E USHUAIA
Uma aventura possível!

O gosto por longas viagens veio se aprimorando em nós ao longo dos últimos anos. A nossa primeira viagem foi em uma CBX 750 até Poços de Caldas, interior de Minas e litoral de São Paulo em fevereiro de 1995; a segunda, uma viagem com a S-10, em 1998, até Buenos Aires em pleno mês de julho, sentindo o gostoso friosinho do sul!; a terceira, em janeiro de 2000, com uma moto Kawasaki Ninja ZX11, até Santiago e Viña del Mar, no Chile. Nesta última, foram 8400 km de muitas paisagens incríveis e a oportunidade ímpar de cruzar a cordilheira junto ao Aconcágua! Fantástico! (Para esta viagem fizemos o nosso primeiro site, que pode ser apreciado no endereço: http://usuarios.uninet.com.br/~jferrazo/index.html )
Vamos a alguns dados de minha pessoa e de minha esposa: meu nome é José Ferraz de Oliveira, sou Oficial da Marinha aposentado (Aviador Naval), tenho 47 anos e resido em São Pedro da Aldeia, Rio de Janeiro; a Mariluci do Amaral Menezes é minha esposa há nove anos e é psicóloga. Os contatos podem ser feitos através do e-mail: jferrazo@uninet.com.br
O planejamento desta viagem começou há cerca de dois anos, quando decidimos que seria melhor conhecermos o sul da América do Sul agora em 2002, logo após sair a minha aposentadoria e depois, em um futuro próximo conhecer o Alasca, que é um outro sonho que ainda falta ser “ticado”! Utilizamos muito a internet para pesquisa e os sites abaixo foram muito úteis: http://web.cidadeinternet.com.br/pinguinsdodeserto/versao1/main.htm e http://www.antoniofernandes.hpg.ig.com.br/index.htm
A aventura de uma Senhora lá de Fortaleza (Sra Heloisa Cunha), a bordo de um Troller, indo até Ushuaia também, foi de grande ajuda. O seu site é: http://www.vovosmilenio.pro.br/
Para detalhamento das rotas e levantamentos das coordenadas para inserção no GPS, utilizamos mapas existentes nas livrarias Saraiva (ou outra grande livraria qualquer) e o Atlas Geográfico da Encarta, em CD ROM, que é fantástico para se visualizar qualquer área do planeta! É só clicar e você tem a LATITUDE e a LONGITUDE precisa do ponto!
O estudo da meteorologia também foi importante e monitoramos o tempo naquela região e em outras de interesse através do site http://www.meteonet.com.ar/ As informações de temperatura, juntamente com outros dados como férias da Luci e o período em que eu estaria dispensado da Marinha nos levou a optar pelo mês de março de 2002.
Planejamos a nossa saída para o dia 1º de março, uma Sexta-feira, e estimamos um total de 35 dias de viagem, com um gasto de R$ 10097.00, percorrendo uma distância de 15693 km. Acabamos gastando menos tempo (33 dias), menos dinheiro (R$ 7573.87) e rodando mais (17400 km)!
Chamamos alguns colegas para nos acompanhar, mas os impedimentos de última hora de cada um, acabou por impedir a participação.
O relatório que se segue é essencialmente logístico, enfocando o que ocorreu ao longo da viagem, detalhando informações consideradas relevantes para quem pretende fazer algo parecido, demonstrando que pegar um carro, sair pelo sul da América do Sul, ir a Ushuaia, no “Fim do Mundo”, passar pelo sul do Chile e pelo Deserto de Atacama, situado ao norte deste lindo país, é algo perfeitamente possível a qualquer mortal, mesmos sem patrocínios ou “Super Carros”!
Por falar em carros, vamos aos dados de nossa grande companheira de viagem, que não “negou fogo” em hora nenhuma e resistiu muito bem ao frio, calor e aos 1700 km de estradas de rípio (pedras parecidas com o nosso saibro): caminhonete Chevrolet S-10 Cabine Dupla Turbo Diesel 4X4, com motor Maxion de 95 hp, ano 1998. Por ocasião da saída estava com 88265 km no odômetro. Pneus Pirelli Scorpion 235, recentemente trocados. Fluidos e correias também substituídos. Ao final do relato apresentarei uma síntese das providências tomadas na sua preparação.

01/03/02 – SEXTA-FEIRA - NITERÓI – CURITIBA – 1º dia
(855.4km no dia)

A excitação estava grande no dia anterior, preparando as malas, desta vez sem a preocupação com espaço ou peso excessivo! Nossa cota era de 1000 kg de carga! Não precisaríamos nos preocupar! Fomos dormir e acordamos às 05:30 desta Sexta-feira enevoada e com uma temperatura externa de 24.6ºC (coloquei um termômetro digital na S-10, com informação de temperatura interna e externa ). Às 06:25 estávamos iniciando a nossa viagem. Cruzamos a Ponte Rio-Niterói, Linha Vermelha e tomamos a direção de São Paulo, passando por lugares já conhecidos, mas sempre agradáveis de se rever. Resolvemos ir direto pela Dutra até a Marginal Tietê, pois a sinalização para se pegar a Airton Senna é ruim e acabei passando do ponto de entrada. Mas não houve problemas, afinal todos os caminhos levam à São Paulo! Por volta de 13:00 estávamos saindo da Marginal Tietê em direção à Curitiba e resolvemos parar em um Mac Donald`s, para um lanche. O trânsito pela Marginal é sempre intenso e exige um cuidado extra para não perder os pontos de entrada para a Régis Bittencourt (BR-116, São Paulo – Curitiba). Esta estrada, por sinal, está quase toda duplicada e, embora tenha um trânsito muito denso de caminhões, não oferece maiores preocupações. Não se deve ter pressa, caso contrário poderá pagar com a vida!
Neste trecho para Curitiba, próximo à Registro tem um Posto Graal de excelente qualidade. O Posto Fazendeiro também próximo à Registro é de alto nível!
Para variar, a chegada a Curitiba foi com chuva! Desta vez não havia preocupação em colocar capas!
Chegamos às 19:00 e fomos para o Hotel de Trânsito do 20º Batalhão de Infantaria Blindada do Exército, localizado em um bairro próximo ao centro e da BR-116. Excelente estabelecimento, com preços ótimos (exclusivo para oficiais da ativa e reserva das três forças armadas e para seus dependentes). À noite saímos para comer uma Pizza com o primo Aloisio Jr, sua esposa Tany e a graciosa Anne! Primeiro dia tranqüilo, graças a Deus e dentro do planejamento!
RESUMO DO DIA:
Estradas: BR 116 // JORNADA: 12:40
COMBUSTÍVEL: R$ 51.00
PEDÁGIO: R$ 17.70
ALIMENTAÇÃO: R$ 20.35
HOTEL: R$ 37.00
OUTROS: R$ 1.00
TOTAL(1): R$ 127.05

02/03/02 – SÁBADO - CURITIBA – GRAMADO - 2º dia
(641.9km no dia) (total: 855.4 + 641.9 = 1497,3)

Conforme planejado, saímos relativamente cedo (08:05) com uma temperatura de 21.8ºC e pegamos a BR-116. O tempo melhorou ao chegarmos em Santa Catarina, tornando as paisagens ainda mais agradáveis de serem apreciadas. A estrada se encontrava em bom estado de conservação e a chegada à Serra Gaúcha foi com um bom sol e céu limpo. As montanhas e vales ilustram bem a fama e beleza da região. Ao chegamos à cidade de Nova Petrópolis, tomamos a direção de Gramado, em uma estrada secundária e bem cuidada. A região é essencialmente agrícola e é possível admirar fazendas e chácaras ao longo da estrada. Chegamos à Gramado às 18:30, após quase 11:00 de viagem. Sem dificuldade localizamos uma pequena pousada, na faixa de preço que nos convinha e com as facilidades que desejávamos. A Pousada Casa Antiga, situado à Av. Borges de Medeiros, 3660, Centro, tel (54) 286-3888, nos atendeu perfeitamente. Nos alojamos, saímos para comer um “capeleti” em um outro hotel próximo e depois fomos dormir. O friozinho da noite já estava convidativo! No dia seguinte iríamos conhecer a cidade.
RESUMO DO DIA:
Estradas: BR 116 // JORNADA: 10:56
COMBUSTÍVEL: R$ 52.00
PEDÁGIO: R$ 13.50
ALIMENTAÇÃO: R$ 31.50
HOTEL: R$ 40.00
OUTROS: R$ 19.00
TOTAL(2): R$ 156.00
TOTAL GERAL: 127.50 + 156.00 = R$ 283.05

03/03/02 – DOMINGO – GRAMADO / CANELA - 3º dia
(54 km no dia) (total: 1497.3 + 54 = 1551,3)

Levantamos por volta das 07:00, tomamos café e saímos para passear. A temperatura estava super agradável e a meteorologia previa bom tempo.
Gramado é realmente muito linda e preparada para receber o turista.Tudo muito bem sinalizado, arrumado e limpo. A preocupação da população em bem atender o visitante é uma constante. Turista gosta disto: ser bem tratado, de lugares limpos e bonitos!
Logo pela manhã resolvemos ver a principal atração da região, que é o Parque do Caracol, onde existe uma cascata de 130 metros de altura em um cenário muito lindo. Nos dirigimos para a cidade de Canela, que fica a oito km de Gramado. Esta cascata fica no interior do Parque Estadual do Caracol, que surpreende pela organização e beleza. Vale a pena conhecer. Dali demos uma passada no Parque do Pinheiro Grosso, situado nas proximidades, onde existe um pinheiro secular e gigantesco. Tem cerca de 800 anos e uns 120 metros de altura. Realmente impressionante. A entrada nestes parques é paga.
Entre as cidades de Gramado e Canela também existe uma atração denominada “Mundo a Vapor”, que ostenta uma autêntica locomotiva a vapor do século passado, representando um acidente que ocorreu em Mont Parnasse, na França, na época do glamour da propulsão a vapor. No interior deste Museu existem miniaturas de uma usina elétrica, serraria, pedreira e outras atrações, tudo funcionando a partir do vapor. Muito interessante.
O Lago Negro é uma linda atração de Gramado, com suas margens bem cuidadas e passeio de barquinhos. A Cascata dos Narcisos também é interessante, mas a poluição de suas águas tira o seu encanto, quando vista pessoalmente. Segundo informações locais, a Prefeitura está se empenhando para despoluir o rio que a forma.
A Casa do Papai-Noel é uma atração à parte. Lembra em muito as atrações da Disneylândia e de lá se tem uma linda vista do Vale do Quilombo. A casa em si é um primor de cuidado e detalhes.
À noite fomos ver o “Senhor dos Anéis” no Cine Gramado, onde são realizadas as mostras de cinema nacional, que constituem grande atração turística da cidade. Bom filme de final surpreendente!

RESUMO DO DIA:
Estradas: Local – Gramado/Canela -
COMBUSTÍVEL: R$ 0.00
PEDÁGIO: R$ 0.00
ALIMENTAÇÃO: R$ 27.30
HOTEL: R$ 40.00
OUTROS: R$ 47.00
TOTAL(3): R$ 114.30
TOTAL GERAL: 283.05 + 114.30 = R$ 397.35

04/03/02 – SEGUNDA-FEIRA – GRAMADO – SANTANA DO LIVRAMENTO - 4º dia
(710 km no dia) (total: 1551.3 + 710 = 2261.3)

Levantamos às 07:00, tomamos café e às 08:30 estávamos iniciando a nossa pernada do dia até Santana do Livramento. Com um céu sem nuvens e uma temperatura de 20.4ºC o dia se mostrava promissor! Ao iniciarmos a descida da Serra Gaúcha nos deparamos com um acidente, onde um ônibus havia derrapado e atravessado em uma curva vindo a cair em uma ribanceira, impedindo o tráfego, em função das fainas para retira-lo do local. Como não havia previsão do término dos trabalhos eu perguntei à um policial da possibilidade de se pegar um atalho. O mesmo confirmou, dizendo que a estrada seria de terra, mas que não haveria problemas para alcançar a BR mais abaixo. Resolvemos aventurar e não tivemos dificuldades. Pegamos os nossos primeiros kilômetros de estrada de chão sem problemas.
No nosso planejamento inicial havíamos decidido que iríamos conhecer o interior do Rio Grande do Sul e assim o fizemos. Próximo a Novo Hamburgo guinamos para a proa 270º e fomos em direção à Santa Maria. Estradas boas, com pedágio e paisagens rurais interessantes. Com o calor que estava fazendo, a chuva forte no período da tarde foi inevitável. Nuvens negras e muita água foi o brinde ao calor! Próximo a cidade de Boqueirão pegamos mais um atalho de estrada de terra, passando perto de São Gabriel em direção a Rosário do Sul. Muita terra vermelha e fazendas de gado. Linda região! Neste dia totalizamos 90 km de estada de terra!
Chegamos à Santana do Livramento às 20:00 e, sem maiores dificuldades, encontramos o 2º Batalhão de Artilharia Antiaérea do EB, onde passaríamos a noite em seu modesto mas honesto Hotel de Trânsito. Ressalto o excelente atendimento recebido em todas as unidades do Exército, por onde passamos. A chuva não dava tréguas e resolvemos fazer um lanche na cantina do próprio quartel, onde o cantineiro, de muito bom papo, nos contava sobre suas aventuras pelas bandas do Rio de Janeiro!
A noite foi tranqüila e a expectativa de entrar em terreno estrangeiro no dia seguinte dominou nossos pensamentos.
RESUMO DO DIA:
Estradas: BR 287/158/290/158/293 // JORNADA: 11:20
COMBUSTÍVEL: R$ 50.00
PEDÁGIO: R$ 8.30
ALIMENTAÇÃO: R$ 16.80
HOTEL: R$ 20.00
OUTROS: R$ 14.80
TOTAL(4): R$ 109.90
TOTAL GERAL: 109.90 + 397.35 = R$ 507.25

05/03/02 – TERÇA-FEIRA - SANTANA DO LIVRAMENTO( Br ) - AZUL ( Arg ) - 5º dia
(948.2 km no dia) (total: 2261.3 + 948.2 = 3209.5 km)

Levantamos às 07:00 e nos deparamos com a turma de recrutas do Batalhão fazendo as faxinas matinais com a animação típica de um grupo que possui um “ bom Sargento” no comando! Boas coisas da vida militar!
Tomamos café em um posto de serviço BR dentro da cidade e rumamos para a fronteira. Após algumas desinformações, chegamos ao posto de fronteira, onde as facilidades do Mercosul tornam a vida do turista mais amena. Os pontos de controle do Uruguai e Brasil são em um mesmo local, evitando perda de tempo. Importante: não adianta querer passar a fronteira muito cedo, pois o pessoal da Aduana chega somente às 08:00! Outra coisa, não é necessário ir a nenhum outro lugar, pois todos os trâmites são feitos neste posto. O atendimento foi cordial e rápido. Mesmo não estando previsto gastar pesos uruguaios, resolvi trocar U$ 20.00, para qualquer eventualidade. O câmbio estava a 14.00 pesos por dólar e o um peso argentino estava valendo um Real.
A estrada Uruguai 5 que liga Santana do Livramento à cidade de Tacuarembó e ao sul do pais é muito boa, cortando fazendas de gado e planícies imensas. Cruzamos com vários grupos de cavaleiros, vestidos a caráter, participando de cavalgadas. Parece que este é um hábito comum por esta região.
No trecho entre Tacuarembó e Colon, a chuva foi uma constante, com nuvens baixas e carregadas.
Chegamos à fronteira com a Argentina por volta das 13:00. A passagem foi super tranqüila, não se gastando mais do que cinco minutos. Paramos em um posto de serviço após cruzarmos o rio Uruguai, para fazermos um lanche e trocar algum dinheiro por pesos argentinos, pois na fronteira não havia casa de câmbio. Trocamos U$ 40.00, pois a disponibilidade da lanchonete não permitia valores maiores no momento. O câmbio foi feito na base de um dólar por 1.8 pesos argentinos. Razoável, embora soubéssemos que estava a 2:1. À propósito, neste posto de serviço saboreamos o melhor cheeseburger de toda a viagem! Pão macio e carne deliciosa! Simplesmente perfeito!
Dali tomamos a Ruta 14, uma estrada excelente que vai até Zarate. O tempo melhorou e as retas começaram a aparecer. Esta região da Argentina é bem desenvolvida e rica, com indústrias voltadas para produtos do campo.
O cruzamento do rio Paraná é através de uma ponte pênsil metálica moderna, demonstrando um alto nível de engenharia do pessoal do Ministério dos Transportes. Estão de parabéns!
Ao chegarmos à Lujan tivemos que redobrar a atenção na navegação, para não nos perdermos. O tráfego é pesado e para alcançarmos a cidade de Cañuelas, onde começa a Ruta 3, tivemos que fazer algumas perguntas em postos de serviço, pois a sinalização não é muito clara. Por volta das 15:00 estávamos pegando a nossa tão desejada Ruta 3, que nos levaria até Ushuaia. Estrada pedagiada e de excelente qualidade, dá gosto de dirigir por ela!
Embora tivéssemos a idéia de não nos aproximar de Buenos Ayres, acho que a melhor opção para pegar a Ruta 3 é se dirigir até a capital e de lá pegar a direção de Cañuelas. Se pagará mais pedágio, mas o stress será menor e provavelmente se gastará menos tempo na travessia da região metropolitana.
Chegamos à cidade de Azul por volta das 21:00 e achamos sem dificuldade um excelente hotel às margens da estrada, na chegada da cidade. Hotel Estrella, com restaurante e acomodações muito boas, incluindo garagem e café da manhã.
Com uma temperatura externa de 18.5ºC dormimos bem, nos preparando para as novidades do dia seguinte!

RESUMO DO DIA:
Estradas: Uru 5/26, Arg 14/3 // JORNADA: 12:00
COMBUSTÍVEL: R$ 31.00 +30.65(pa)(35.32reais) = 61.65
PEDÁGIO: R$ 7.00 + (14.3pa)(16.94reais) = 23.94
ALIMENTAÇÃO: R$ 6.00 + (8.00pa)(9.48reais) = 15.48
HOTEL: 54.00pa(64.50reais) = 64.50
OUTROS: 0.00
TOTAL(5): R$ 171.24
TOTAL GERAL: 171.24 + 507.00 = R$ 678.49

06/03/02 – QUARTA-FEIRA – AZUL – PUERTO MADRYN - 6º dia
(1122 km no dia) (total: 3209.5 + 1122 = 4331.5)

Levantamos às 06:30 e às 07:30 estávamos na estrada. Temperatura de 15.3ºC e um céu azul lindo de morrer! A Ruta 3 se mostra fantástica, com muitas retas (ou melhor, é uma reta só!) e paisagens agrícolas o tempo todo. Nesta área próxima a Azul nota-se uma riqueza do solo e uma abundância agrícola muito grande. Plantações de milho, soja e girassol são uma constante.
O interessante é que se pode observar um vento contínuo e forte de oeste, fazendo a vegetação curvar-se! Característica desta região. Tanto é verdade que os argentinos resolveram aproveitar esta disponibilidade de energia da natureza e instalaram uma série de geradores de energia eólica, visando o seu aproveitamento. Ao longo da estrada pudemos observar várias instalações deste tipo. Outra coisa interessante: a quantidade de insetos colhidos pelo pára-brisa do carro! Ao fim da tarde foi necessária uma boa lavada no mesmo com shampoo, para permitir uma boa visibilidade. Coisa que mais para o sul já não aconteceria (ausência de insetos).
Em uma cidade mais abaixo, resolvi procurar um Banco para trocar mais uns dólares, pois até o momento só havia trocado U$140.00. Paramos em na cidade de Coronel Pringles e trocamos mais U$ 860.00 ao câmbio e 2:1 em uma casa de especializada. Aproveitei e resolvi testar também o cartão HSBC na rede CIRRUS Internacional. Entramos em uma agência do Banco de Boston da cidade e procuramos o gerente. O mesmo disse que não sabia se funcionaria, mas que poderíamos tentar. Foi conosco até o caixa eletrônico e colocamos o cartão na máquina – funcionou direitinho! O nosso problema de pesos argentinos estava resolvido!
Até Bahia Blanca, nota-se uma densidade maior de veículos. A partir desta cidade, em direção a Puerto Madryn, o tráfego fica bem mais escasso. O pedágio encerra-se logo após a Azul (mais um posto apenas). Por falar em Bahia Blanca, é necessário atenção às placas de sinalização ao se aproximar desta cidade. Não é necessário passar em seu interior, mas a atenção às placas é fundamental, para não causar perda de tempo. Deve-se procurar a direção de Carmen de Patagones e de lá, Puerto Madryn. O mapa é bastante claro, mas as placas confundem!
A partir de Bahia Blanca entra-se na região da Patagônia Argentina, que é uma estepe semi-desértica, de características típicas e marcantes: vegetação baixa, pouca chuva, ventos constantes e temperatura baixa, com grande amplitude térmica. Cerca de 100 km antes de San Antônio do Oeste a vegetação de uma gigantesca área foi praticamente destruída por incêndios, deixando a terra exposta ao vento e ao sol contínuo. A aparência é de um verdadeiro deserto!
Cerca de 200 km após San Antônio do Oeste, no trecho chamado de Serra Grande, onde por sinal tem uma das poucas serras da região, o asfalto não estava muito bom, exigindo mais atenção. Pegamos este trecho já de noite, mas não tivemos problemas.
Outra observação digna de nota é que, a partir de Azul, sempre que nos aproximávamos de alguma cidade maior, havia um posto de controle fitosanitário, onde os fiscais questionavam sobre a presença de verduras ou carnes e o carro era pulverizado por uma solução de iodo. Bom método de se evitar a difusão de pragas e doenças de animais.
Chegamos a Puerto Madryn às 21:30 e fomos procurar a Praça da cidade, pois é onde havia um hotel referenciado por uma revista, que atendia as nossas especificações. Sem maiores dificuldades encontramos o Hotel Gran Palace, situado na 28 de julho com a San Martin. Bom hotel com preço acessível.
Nos instalamos e fomos jantar em um restaurante de comida a peso, situado ao lado do hotel (administração chinesa!). Saborosa e variada a comida deste restaurante. Vale a pena.
Fomos dormir, pois no dia seguinte iríamos conhece a famosa Península Valdez!

RESUMO DO DIA:
Estradas: Ruta 3 // JORNADA: 14:00
COMBUSTÍVEL: 73.01pa = 86.51
PEDÁGIO: 2.20pa = 2.60
ALIMENTAÇÃO: 18.45pa = 21.85
HOTEL: 35.00pa = 41.47
OUTROS: 2.10pa = 2.48
TOTAL(6): R$ 154.91
TOTAL GERAL: 154.91 + 678.49.00 = R$ 833.40

07/03/02 – QUINTA-FEIRA – PUERTO MADRYN – PUNTA DELGADA (PENÍNSULA VALDEZ) 7º dia
(408 km no dia) (total: 4331.5 + 408 = 4739.5)

Levantamos cedo, tomamos café no hotel (café com leite e as tradicionais “médias lunas”!) e pegamos a estrada para a Península. Antes passamos em um posto de serviço próximo ao hotel e abastecemos o tanque da S-10 e os dois reservatórios de 25 litros cada, para qualquer eventualidade. Com este procedimento minha autonomia foi para 1200 km! Mais que suficiente!
Temperatura de 23ºC, céu limpo e o vento de oeste forte e contínuo! Pegamos uma estrada de asfalto (cerca de 60 km) até a entrada do Parque Nacional da Península Valdez. Pagamos a entrada (14.00pa) e visitamos um museu que existe logo após. Vale a pena visitá-lo, pois lá será possível ver todo o tipo de fauna e flora que existe na região. As coisas são muito bem arrumadinhas e funcionais.
Dali pegamos a estrada de rípio (dentro da Península só existem estradas de rípio, exceto na chegada a Puerto Pirâmide, que é asfalto) para a extremidade norte da Península, chamada de Punta Norte, onde existem lobos marinhos e focas. Decidimos fazer um circuito completo pela península, no sentido dos ponteiros do relógio. O rípio é uma estrada de terra que é normalmente coberta por pedras pequenas e soltas, à semelhança de nosso saibro. É muito escorregadio e a velocidade máxima é de 60 km/h, mas o pessoal anda a 80 ou mais! Tem que tomar cuidado nas curvas pois o carro fica bem solto. Quando se cruza com outro veículo deve-se reduzir a velocidade, para evitar que uma pedra levantada por uma roda atinja o veículo que vem em sentido contrário (nem todos fazem isto!). Tem umas placas enormes no início da estrada, dando informações de como dirigir no rípio. Não se deve aproximar das margens com velocidade, pois a derrapagem será quase certa e uma capotagem muito provável!
Chegamos a Punta Norte por volta das 09:30. O local é muito lindo. Estava em obras para melhor atender ao turista, com instalações de lanchonete e banheiros. Pudemos observar três colônias de lobos marinhos e focas tomando banho de sol e apreciando as águas frias do Atlântico Sul! Não é possível chegar muito próximo aos animais. Existe uma cerca que delimita a área.
Dali pegamos a proa sul, margeando o litoral e fomos conhecer a Caleta Valdez. No caminho cruzamos com um bando de Guanacos, uma espécie de veado patagônio, que vive solto em toda a região da patagônia. É arisco e não permite aproximações. Vimos também zorros (espécie de cachorro ou raposa), uma ave parecida com a nossa ema, o tal de Iandu. Vimos também algumas ovelhas que são criadas em toda a região. A Vegetação é inóspita e arranha a perna da gente, se houver roçamento. Típica para agüentar o frio e os ventos fortes da região!
A Caleta é realmente fantástica! Pudemos observar uns poucos pingüins e lobos marinhos em suas margens (a melhor época do ano para ver estes animais é novembro). Visitamos Punta Cantor onde tem um belo restaurante e onde encontramos um caminhão da Oasis Adventure (Inglaterra), adaptado para transporte de pessoas em terrenos acidentados e o Farol de Punta Delgada, onde existe um hotel de luxo com restaurante e loja de souvenir. Ficamos conhecendo o chefe do serviço do Farol, um simpático Capitão-de-Corveta da Marinha Argentina que, ao saber que eu era “de marinha”, fez questão de mostrar a lente do farol. Realmente uma preciosidade de cristal do inicio do século, que funciona como um “relógio”, até os dias de hoje! Na saída para Puerto Pirâmide passamos relativamente perto do Grande Salar, uma lagoa no interior da península, constituída basicamente de sal.
Puerto Pirâmide é um paraíso perdido no meio daquela imensidão de pedra e poeira! A baía a sua frente é o ninho de amor das baleias que vão ali para acasalamento! Pena que este espetáculo só é possível de ser apreciado nos meses de julho a novembro. Esta pequena cidade vive exclusivamente do turismo. Tem inúmeras agências para a realização de passeios.
Voltamos para Puerto Madryn e tratei de procurar um lava jato, pois a camada de poeira na S-10 estava acima do limite! Foram 280 km de muita poeira e pedras! Sem problemas para a nossa “companheira”. Localizado o lava jato, em 15 minutos estava linda de novo! O rapaz do lava jato comentou sobre a lama vermelha, que estava grudada nela e perguntou de onde vínhamos, pois naquela região não se encontrava terra daquela cor. Falei que passamos pelo interior do Rio Grande do Sul, no Brasil, onde a terra vermelha era muito comum!
Puerto Madryn é uma cidade portuária e somente as ruas do centro são asfaltadas. As ruas periféricas são de rípio e a poeira, uma constante.
Jantamos novamente no nosso amigo “chinês”, acessamos a internet em um posto próximo (0.25pa a cada 10 minutos) e fomos dormir. No dia seguinte a jornada seria longa!

RESUMO DO DIA:
Estradas: Arg 2/3/47 (provinciais) // JORNADA: 11:00
COMBUSTÍVEL: 61.00pa = 60.43
PEDÁGIO: 0.00
ALIMENTAÇÃO: 33.00pa = 39.10
HOTEL: 35.00pa = 41.47
OUTROS: 52.00pa = 61.63
TOTAL(7): R$ 202.63
TOTAL GERAL: 202.63 + 833.40 = R$ 1036.03

08/03/02 – SEXTA-FEIRA – PUERTO MADRYN – PT SAN JULIAN - 8º dia
(964.3 km no dia) (total: 4739.5 + 964.3 = 5703,8)

Saímos cedo (07:30), com uma temperatura de 16.5ºC e o tempo meio nebuloso. Tomamos café em um posto de serviço (o do hotel seria servido muito tarde para o nosso cronograma) e pegamos de novo a nossa Ruta 3. Proa sul e o vento contínuo de oeste! Esta estrada nesta região e na direção sul (Comodoro Rivadávia) corta um planalto de cerca de 600 metros de altitude. Isto fez com que a temperatura baixasse ainda mais, indo para a casa dos 13ºC. Uns 30 km antes de Comodoro Rivadávia paramos para tirar uma foto e deu para sentir o frio com o vento forte! Dali para frente demos um adeus às bermudas e tratamos de colocar roupas mais adequadas!
A chegada à Comodoro Rivadávia é muito bonita, pelas montanhas e paisagem atípica. As pedras continuam dominando, mas os morros têm formas de platô, lembrando cenários de filmes de farwest americanos! Comodoro é uma cidade petrolífera e é a maior da região. Existem inúmeras estações de extração de petróleo nas proximidades da Ruta 3. Na cidade o tráfego flui fácil e notamos que quase ninguém usa cintos de segurança. Na saída passamos por um balneário chamado de Rada Tilly, muito bonito e que parece ser a atração da região. O litoral apresenta falésias de beleza impressionante e o mar azul à esquerda compõe a paisagem.
A meio caminho entre Comodoro Rivadávia e Pt San Julian resolvemos entrar 50 km em uma estrada de rípio à direita e conhecer o Monumento Natural Bosques Petrificados, bem no coração da Patagônia! No caminho de rípio cruzamos com Guanacos e zorros além de apreciarmos uma paisagem ímpar. A região é um deserto só! Não existe nada, nenhum sinal de civilização em um raio de uns 300 km! Fantástico! Ao chegarmos ao Parque, fomos recebidos pelo guarda-parque, que foi gentil e nos deu as informações necessárias. Alertou que não era permitido levar qualquer “souvenir” do parque e que a área era preservada. Levamos a sério o alerta e não trouxemos nem um pequeno exemplar da madeira petrificada lá existente, para a tristeza posterior da Luci! O sentimento ecológico estava falando mais forte! (ela montou uma coleção de pedras de cada região!).
Por volta das 17:00 estávamos de volta à Ruta 3, na proa sul! O tempo estava nebuloso, ameaçando chuva, mas o que víamos eram as nuvens negras, a formação da chuva (leve) e a mesma não alcançar o solo. Penso que era devido à baixa umidade relativa do ar, que absorvia grande parte da água. O relevo extremamente plano permitia ver a longa distância, a semelhança de quando se está em alto mar.
À noitinha (21:10) chegamos à Ponta San Julian e no trevo de entrada da cidade paramos em um posto de serviço EG3, para abastecer. Vimos que havia restaurante e hotel (El Álamo) que atendia perfeitamente às nossas “especificações”. Foi perfeito. Jantamos um delicioso “bife de chorizo” e ficamos sabendo das primeiras informações sobre a Ruta 40, que liga o Parque Nacional dos Glaciares a Bariloche e que seria o nosso roteiro na volta. Segundo informações, a estrada estava em péssimas condições. Este era um dado que precisava ser ampliado, pois não estava em nossos planos a prática de “rally” com a nossa S-10!
A noite foi tranqüila, com uma temperatura externa de 8ºC e a calefação da suíte funcionando maravilhosamente bem.
RESUMO DO DIA:
Estradas: Ruta 3 // JORNADA: 13:30
COMBUSTÍVEL: 17.50pa = 20.73
PEDÁGIO: 0.00
ALIMENTAÇÃO: 35.45pa = 42.00
HOTEL: 30.00pa = 35.55
OUTROS: 0.00
TOTAL(8): R$ 98.28
TOTAL GERAL: 98.28 + 1036.03 = R$ 1184.31

09/03/02 – SÁBADO – PT SAN JULIAN – RIO GRANDE (TERRA DO FOGO) - 9º dia
(721.8 km no dia) (total: 5703.8 + 721.8 = 6425,6 )

Neste dia saímos às 07:40 e pegamos a estrada. Não adianta querer sair muito mais cedo, pois nesta época do ano, nestas latitudes, o sol nasce mais tarde. Desde Bahia Blanca, o tráfego pela Ruta 3 é composto basicamente por caminhões e é um pouco escasso. A distância entre postos é sempre grande (mais de 120 km) e, praticamente não existem vilarejos ou pequenas cidades entre estes centros maiores. Daí a importância do carro estar sempre abastecido e ser um veículo confiável. Embora a área seja sempre deserta, não se ouve falar sobre problemas de violência nas cidades ou estradas desta região. O isolamento da Patagônia contribui para isto. Também vimos poucos policiais e nenhum radar ao longo da Ruta 3. Mas é boa política não exceder os 110 km/h permitidos!
As planícies são uma constante, o vento frio e a vegetação semi-desértica dominam a região.
Chegamos a Rio Gallegos às 11:00. Paramos em um excelente posto de serviço da rede YPF, abastecemos, lanchamos e aproveitei para colocar a proteção de tela nos faróis, pois o asfalto terminaria dali para frente (teríamos mais 60 km de rípio ruim e com tráfego pesado até a fronteira com o Chile). Deu para ver que a proteção seria necessária, pois dos oito carros que estavam parados no posto, TODOS estavam com seus pára-brisas rachados!!!. Assustador! Fazer o que, né! Afinal tem autorizada Chevrolet na Argentina e no Chile!
Saímos do posto e logo pegamos o trecho de rípio. Conforme nos falaram, a estrada não era boa. Muita pedra irregular e de um diâmetro maior que as da Península Valdez e o que é pior – estrada larga, que permite os carros cruzarem um pelo outro em alta velocidade. Mas não tive maiores problemas, pois não estava a fim de fazer uma “avaliação” dos amortecedores da S-10 naquele momento. Fui devagar e onde dava para andar mais eu andava. Levamos quase 1:30 para percorrer 60 km, mas tudo bem. Céu azul, vento forte (cerca de 50 km/h) e frio (10ºC).
Ao chegarmos na fronteira, no “Paso Integración Austral”, encontramos o pior serviço de fronteira por onde passamos. Os funcionários não estavam muito interessados no serviço, embora fossem sempre gentis. Os banheiros estavam imundos, mostrando que o posto de fronteira não estava recebendo os melhores cuidados. Pena! Passa uma imagem muito ruim do país. Após quase 40 minutos, fomos liberados e entramos no Chile. Para nossa surpresa, a estrada que liga a fronteira a Punta Delgada (Ruta 255 – Chile) tem apenas uma das faixas de rolamento pavimentada. A outra metade (que vem de Punta Arenas) é de rípio. Problema: você está indo pela pista pavimentada, tranqüilamente a 100, 110 km/h, vem outro carro em sentido contrário, usando a mesma pista, é claro! A um determinado ponto, este carro vai ter que mudar de pista, pois a parte pavimenta é somente na direção de Punta Arenas, conforme já citei. Pois bem, nesta hora o outro veículo muda de pista também a 100 km/h e levanta uma nuvem de pedras! Coisa de maluco! Dá para entender porque praticamente todos os carros desta região têm o pára-brisa trincado! Um carro vermelho que vinha em minha direção fez exatamente assim e por pouco não trincou o meu pára-brisa. A pedrinha que o atingiu não foi suficiente para trincá-lo. Deu para sentir que mantê-lo inteiro seria difícil!
Algum tempo depois chegamos ao posto do Ferry Boat, que faz a travessia do Estreito de Magalhães. Havia uma fila razoável e imaginei que desse para nós cruzarmos no primeiro Ferry. Nos enganamos! Pegamos o segundo e ficamos esperando cerca de 01:30! A passagem do carro custa U$ 15.00 e dura cerca de 20 minutos. Aproveitei o tempo de espera para colher algumas informações importantes. Vamos lá:
1- A travessia pela cidade de Porvenir não é indicada por ninguém. É mais cara, dura mais tempo (duas horas), só é feita uma vez ao dia, os passageiros pagam passagem e a parte e o pior, não tem hora definida. Ou seja, é possível, mas embola o planejamento de qualquer um!
2- Neste Posto do Ferry tem restaurante e hotel. A marinha chilena mantém um farol para balizar o canal e existe um Museu Naval também na localidade;
3- A entrada na balsa (Ferry) é por ordem de chegada e os caminhões vão no centro da mesma, para resolver o problema de estabilidade, é claro;
4- Você não tem condições de escolher o lugar na balsa. Os marinheiros é que determinam o lugar onde você vai estacionar. Outro problema: o vento forte faz o mar no estreito levantar e, mesmo com a borda alta, há borrifos de água nos carros. Para meu azar, estacionei pela bochecha de boreste (na parte da frente e a direita!) e o mar estava entrando exatamente deste lado. Conclusão – borrifos de água salgada na S-10! Doeu mais em mim do que nela!
5- A passagem é paga a bordo, com a balsa navegando. A empresa que faz o transporte é a “Transbordadora Austral Broom S.A , email: correo@tabsa.cl ”,
6- A manobra de embarcar e desembarcar é rápida e segura. Gostei da faina!
7- Tem lanchonete a bordo; e
8- Um chileno que estava na fila recomendou que, se eu quisesse preservar o meu pára-brisa, em Uhsuaia havia uma “Ferrateria” que vendia uma proteção de policarbonato para adaptação sobre o pára-brisa que resolveria o problema. Ele mesmo estava instalando uma chapa de policarbonato em seu pára-brisa! Torcí para chegar com o meu inteiro em Ushuaia!

Por volta das 17:30 estávamos na Terra do Fogo! (que é uma ilha, claro!) A estrada que liga Bahia Azul (Estreito de Magalhães) à San Sebastian (fronteira com a Argentina) tem os primeiros 10 km de um pavimento excelente e novo. A partir daí, começa uma estada de rípio de pedras mais graúdas, mas de boa qualidade, permitindo os carros desenvolverem 80 a 90 km/h sem maiores problemas (isto de dia!). Conforme já citei anteriormente, este é o problema! Tanto que, cerca de 10 minutos que estávamos nesta estrada, cruzei com uma camionete Toyota branca, que vinha em alta velocidade e, por azar meu, veio uma pedra e causou uma pequena trinca no lado inferior esquerdo do meu pára-brisa. Fiquei muito p... da vida, mas fazer o que, né! Torci para a trinca não aumentar e dar um tempo para chegarmos até Ushuaia. Por sorte a trinca foi apenas no vidro externo (o pára-brisas é de vidro laminado). Esta é a vantagem do vidro laminado. Detalhe: esta estrada está em obras e, segundo informações, dentro de mais dois anos será toda de asfalto até a fronteira. Será ótimo, pois levamos 3 horas para percorrer 143 km de rípio (à noite e em estrada desconhecida e de rípio, o negócio é ir devagar – segurança em primeiro lugar!).
Depois deste incidente, passamos a apreciar as paisagens da Terra do Fogo. Existem muitas planícies e uma vegetação (espécie de capim) que cobre toda a região e que serve de alimentação para cavalos, ovelhas e bois. Existem também muitos poços de gás, daí o interesse argentino e chileno para esta área (a discussão na realidade aconteceu por causa de três ilhotas existentes ao sul do Canal de Beagle – exatamente o que tem de valor lá eu não sei, mas se por aqui tem gás, provavelmente por lá também deve ter!). Chegamos à fronteira por volta das 21:30 e não tivemos maiores problemas. Desta vez o pessoal estava mais ágil. O frio estava de rachar e pensávamos em ficar em um hotel existente na fronteira (San Sebastian), mas resolvemos seguir os conselhos de um carabineiro que estava de férias com a família, que ficamos conhecendo na balsa e que estava retornando para Rio Grande. Ele nos aconselhou a tocar para Rio Grande, pois lá havia uma maior oferta de hotéis e os preços seriam bem mais em conta. Demos uma olhada no GPS e vimos que teríamos ainda mais 100 km até lá. Como a estrada era asfalto a partir daquele ponto, resolvemos tocar em frente. Chegamos sem problemas e sem sono às 22:40, com uma temperatura de 5ºC e céu estrelado! Localizamos o hotel na avenida litorânea, de frente para o mar, em um local muito agradável. Neste dia não houve almoço ou jantar, apenas lanches. O dia foi longo, mas isto era esperado, tendo em vista dois cruzamento de fronteiras e a travessia da balsa.
Fomos dormir com uma certa dose de ansiedade! No dia seguinte, domingo estaríamos chegando em nosso objetivo principal – o Fim do Mundo!

RESUMO DO DIA:
Estradas: Ruta 3 (Argentina), Ruta 255 e 257 (Chilenas) // JORNADA: 15:00
COMBUSTÍVEL: 44.00pa = 52.14
PEDÁGIO: 10.000(pc)(balsa) = 34.5
ALIMENTAÇÃO: 23.90pa + 2.000pc = 35.10
HOTEL: 55.00pa = 64.90
OUTROS: 0.00
TOTAL(9): R$ 204.64
TOTAL GERAL: 204.64 + 1184.31 = R$ 1388.95

10/03/02 – DOMINGO – RIO GRANDE - USHUAIA - 10º dia
(237.4 km no dia) (total: 6425.6 + 237.4 = 6663.0)

Acordamos às 07:00, tomamos um bom café da manhã, apreciando as águas tranqüilas do oceano atlântico através das grandes janelas envidraçadas da sala de refeições e, por volta das 09:00 estávamos de saída. O dia estava lindo, com um ventinho oeste bem forte, causando uma sensação térmica de uma temperatura muito mais baixa do que os 8ºC indicados pelo termômetro da S-10. Abastecemos em um posto de serviço próximo e tratamos de procurar um lava-jato, pois as manchas de água salgadas, misturadas com a poeira dos 143 km de rípio haviam deixado a nossa fiel companheira irreconhecível! Localizamos um na avenida litorânea que estava aberto àquela hora da manhã de um belo domingo. Em um galpão fechado a nossa amiga levou um belo banho de água quente e xampu!
Na saída de Rio Grande para Ushuaia existe uma praça onde um avião Xavante (bem “jurássico”!) compõe a decoração e umas estátuas de soldados simbolizando a tomada (tentativa) das Malvinas. Os dizeres “Las Malvinas son Argentinas” demonstram o sentimento daquele povo por aquelas ilhas! A pesca é uma atividade importante para Rio Grande e eles fazem questão de ilustrar este fato através de um monumento bastante significativo.
Pegamos a estrada para Ushuaia, a nossa Ruta 3, mantendo um asfalto de qualidade excelente. A paisagem, que era planície, começa a mudar, aparecendo ao fundo, montanhas. Na direção sul, ao longe, já se pode ver um pouco de neve no cume das montanhas mais altas. Gratificante estas imagens! Florestas de “lengas”, uma árvore típica da região, começa a aparecer. Conífera típica de região fria, esta bela árvore domina a região.
Até a cidade de Kaiken a Ruta 3 é de asfalto. Depois começa de novo o rípio, de muito boa qualidade e a preocupação com o pára-brisa retorna. Kaiken está situada as margens do Lago Fangnano, um dos maiores lagos argentinos. É de água doce e de tom esverdeado. Às suas margens as atividades turísticas se desenvolvem bastante, como pudemos observar pelo grande número de campings e pousadas. Chegamos a entrar em um destes camping, (Camping del Índio) para conhecer. Fomos muito bem atendidos na recepção e pudemos correr todo o camping. Para quem gosta de acampar, o lugar é perfeito!
Paramos para almoçar em um pequeno lugarejo chamado “Vila Marina”, que no passado já foi uma serraria. Às margens de um pequeno lago de águas cristalinas e próximo a estrada principal foi construído um lindo restaurante, onde saboreamos uma sopa de legumes de nome estranho mas de sabor conhecido! Achamos caro o lugar, mas o visual compensou!
Continuamos em direção a Ushuaia e um pouco mais a frente (uns 10 km), passamos pelo Lago Escondido, situado também às margens da Ruta 3. Bem menor que o Fangnano, este lago é muito mais bonito. Lembra muito as paisagens dos lagos da Suíça ou Lake Louise, no Canadá (conheço apenas por fotos!). Às suas margens existe um hotel (Hosteria Petrel) padrão “um punhado de estrelas” que dá gosto ver. Tiramos fotos e andamos pelas redondezas. Realmente muito lindo o lugar. Ficamos imaginando aquilo ali em pleno mês de julho, com uma grossa camada de neve no topo das montanhas! Deve ser fantástico!
A partir do Lago Escondido, a estrada tem que cruzar o Passo Garibaldi, um ponto alto da região (800 m) e que oferece uma bela paisagem dos dois lagos. Ao nos aproximarmos do topo, identifiquei uma motoneta estacionada, rebocando um pequeno trailer e o mais interessante – com uma bandeira do Brasil e placa de São Paulo! O seu condutor apreciava a paisagem, certamente refletindo sobre a sua proeza de ter chegado até ali com aquele pequeno veículo! Não resisti e parei para um papo. A temperatura estava em 4ºC e um ventinho cortava as orelhas dando uma sensação de frio muito intenso. Pois bem, o nosso amigo “Juju” (Juarez) havia saído de São Paulo há dois meses e estava circulando pela Patagônia. Já havia estado em Ushuaia e estava se dirigindo para Punta Arenas. Seu roteiro era quase igual ao nosso. Conversamos uns 30 minutos e cheguei a falar com sua esposa pelo rádio que ele transportava no trailer. Ele conseguiu um sistema de comunicação via satélite, utilizando uma antena direcional. Operava na freqüência de 149 ou 146 Mhz, não me recordo bem. Muito legal. Mesmo eu que sou radio amador (PU1-PIL) ainda não havia visto este sistema pessoalmente. O seu projeto básico era fazer este roteiro, utilizando uma Honda Biz de 100 cc e totalmente independente, ou seja, não utilizaria hotel ou restaurantes – ele seria auto-suficiente, acampando e cozinhando a própria comida! A tampa do trailer era coberta por um painel solar, que fornecia energia para uma bateria que alimentava o rádio e dentro deste veículo havia tudo o que ele poderia precisar – barraca, medicamentos, comida, etc. Fantástico! Este nosso amigo tinha uma boa bagagem de experiência para realizar esta façanha – era comandante aposentado da VASP e já havia estado em Ushuaia no inverno (de carro). Depois de regressarmos ao Rio, soube por email que tudo correu bem com o projeto de nosso amigo, o que comprova que realizar uma aventura é possível, sendo necessário um planejamento, tão mais complexo quanto complexa for a jornada!
Finalmente às 16:30 fizemos a última curva da Ruta 3 e nos deparamos com a cidade de Ushuaia! O canal de Beagle aparecia majestoso a nossa frente e a pequena cidade parecia linda, observada do trevo de acesso à avenida principal. Objetivo número três e o mais importante da viagem havia sido alcançado! Temperatura de 5ºC, algumas nuvens e o nosso companheiro, o vento, sempre presente! Pelo GPS havíamos percorrido 6663 km desde Niterói e pelo odômetro da S-10, havíamos percorrido 6792.6 km! Temos que fazer uma aferição, para ver quem está com a razão. Até o final teremos uma resposta!
Neste dia de hoje rodamos 80 km de rípio.
Após cerca de uma hora procurando hotel, encontramos o Hotel Canal de Beagle (excelente!), situado na Avenida Beira Mar, que atendia aos nossos requisitos de preço e “cochera” (garagem)! Como a gente já esperava, as coisas por esta cidade não são muito baratas, mas com um pouco de paciência é possível achar hotéis a preços aceitáveis.
Jantamos no próprio hotel e a noite fomos dar uma volta pela única rua de comércio (para turista, bem entendido!) que a cidade tem. Lojas bonitas, agências de turismo, muitos bares com internet e uma quantidade enorme de turistas de todo o mundo! Fizemos contato telefônico com o pessoal de casa (afinal não é todo dia que se chega ao “Fim do Mundo”!). Demos uma entrada no Cassino e deixamos o seu proprietário um pouquinho mais rico! Mas valeu! Realmente esta cidade é mágica e exerce um fascínio especial nas pessoas.

RESUMO DO DIA:
Estradas: Ruta 3 (Argentina) // JORNADA: 07:30
COMBUSTÍVEL: 18.00pa = 21.24
PEDÁGIO: 0.00
ALIMENTAÇÃO: 48.00pa = 56.64
HOTEL: 80.00pa = 94.40
OUTROS: 25.63pa = 30.24
TOTAL(10): R$ 202.52
TOTAL GERAL: 202.52 + 1388.95 = R$ 1591.47

11/03/02 – SEGUNDA-FEIRA – USHUAIA (LOCAL) - 11º dia
(62 km no dia) (total: 6663 + 62 = 6725 km)

Levantamos as 08:00, tomamos café e nos preparamos para conhecer a maior atração do lugar, que é o Parque Nacional da Terra do Fogo, considerado um dos mais belos do mundo. A temperatura estava em 8ºC e o tempo encoberto e chuvoso.
Antes de irmos ao Parque resolvi procurar a Ferrateria que companheiro da balsa havia me indicado, para colocar a proteção de policarbonato no pára-brisa, afinal eu não queria quebrá-lo em mais lugares! Fomos ao local indicado (Rua Belgrano, em frente a autorizada Crysler) e o gerente da loja foi atencioso no atendimento. Ficaria em 80 pesos argentinos e a placa seria cortada na hora, uma vez que ele não tinha as medidas do nosso pára-brisa. Necessitaria também comprar uma fita adesiva de dupla face, para colocar entre a placa de policarbonato e o vidro (assessoria do gerente), de forma a manter um espaçamento entre os dois e aumentar a resistência a impactos de pedras maiores. Como ele não tinha esta fita, saí para procurar em outra loja. Ao me aproximar da S-10, vi que o pneu traseiro esquerdo estava perdendo ar e se eu não procurasse rapidamente um borracheiro, eu mesmo teria que trocá-lo. Próximo existia uma borracharia que sanou o problema brilhantemente. Era um pequeno pino de metal, semelhante a um prego pequeno, que havia feito o estrago. Sem problemas. Na volta passamos em uma loja de ferramentas e compramos a fita dupla face e um rolo de “silver tape”, para fazer a fixação da placa nas bordas do pára-brisa. A faina de cortar a placa não foi tão rápida como eu pensava. Após uns 5 ajustes, as dimensões ficaram corretas e a fixamos de forma definitiva com a “silver tape”. Outro fator que complicou um pouco foi o chuvisco que caía continuamente e nos obrigava a ficar secando o pára-brisa, para a instalação da placa. Após sua instalação, o serviço ficou ótimo e não causou nenhum prejuízo a visibilidade.
Cerca de 10:45 estávamos nos dirigindo para o Parque, que fica a uns 3 km da cidade, indo na direção oeste.
A estrada de acesso é de rípio e continua sendo a nossa conhecida Ruta 3! A entrada do Parque e típica dos parques argentinos (com belas placas indicando o nome do lugar) e as montanhas ao redor compõem um bonito cenário. Pagamos a taxa de entrada e fomos procurar o local onde se pegaria o barco que faz a travessia de turistas para um Posto dos Correios, que fica localizado em uma ilha próxima. Chegamos à Bahia Ensenada, local de partida, e ficamos surpresos por não vermos nenhum barco e ninguém para dar informações, afinal este seria o “good” nº1 do Parque, pois se ter um carimbo da Estação de Correios do Fim do Mundo no passaporte, é coisa para poucos! Depois soubemos que a lancha que faz a travessia estava em reparos e que não havia outro meio de transporte para a Ilha. Fazer o que, né? Tiramos nossas fotos e tratamos de continuar o passeio. Partimos em seguida para o segundo maior objetivo (“good n.º2”), que era alcançar o final da Ruta 3, último ponto na América do Sul onde se pode ir de carro! Também um marco notável! Pelo caminho fomos observando o Parque e concluímos que faz jus à sua fama: é muito lindo e bem cuidado. Tem inúmeros lagos, pontes e locais próprios para fazer um bom piquenique! (com a temperatura e os ventos reinantes na área é um programa para ser bem avaliado!).
Chegamos finalmente à Bahia Lapataia, onde termina a Ruta 3. Muito boa a sensação de alcançar este ponto do planeta! Muito gratificante! Havia alguns ônibus de turistas no local e acabamos por encontrar uma senhora de São Paulo, que morava na Argentina. Ficou impressionada ao ver a placa da S-10! (São Pedro da Aldeia, RJ). Perguntou como chegamos até aquele ponto, respondemos – rodando, é claro! Nos parabenizou pela empreitada, dizendo que gosta de viajar de carro, mas não tão longe de casa! Tiramos mais fotos e ficamos ali um bom tempo apreciando o lugar, as águas tranqüilas da Bahia Lapataia, os pássaros marinhos e a paz que aquele lugar transmite! Perto da placa que indica o final da estrada, existe um riacho de águas cristalinas, que empresta um ar bucólico ao lugar.
Iniciamos o retorno e aproveitamos para ver a Laguna Negra, uma lagoa de águas cristalinas e que tem uma vegetação que cresce sobre as suas águas, formando uma espécie de um grosso tapete em sua superfície. É possível caminhar sobre este “manto”, mas é necessário utilizar uma passarela, caso contrário a pessoa poderá ficar “atolada”! (nada demais, o problema é que a água está a 5ºC!)
Passamos também pelo Lago Roca, de águas verdes e montanhas geladas ao seu redor. Um dos lagos mais lindos que vimos durante toda a viagem. Lembra as paisagens da Suíça! Ao seu redor, muita área de camping.
No retorno para a cidade, por volta das 14:00, paramos em alguns lugares para mais algumas fotos. Vales verdes, e campos de golfe! Nem parecia que estávamos no Fim do Mundo!
Ao chegarmos à cidade resolvemos ir até ao aeroporto, de onde se teria a melhor vista da cidade, segundo informações dos nossos amigos dos “Pingüins do Deserto”. Ao pegarmos a estrada de acesso ao aeroporto, que passa próximo ao mar, observei a superfície das águas bem “encarneirada”, demonstrando que um vento forte estava na área. Dentro da S-10, com o aquecimento ligado e os vidros fechados, não tínhamos idéia da real situação dos ventos. Ao estacionarmos a camionete, tomei o cuidado de parar “aproado” ao vento, pois sentia que mesma balançava um pouco com as rajadas mais fortes. Para descermos, cumprimos o procedimento de segurança, que é: primeiro sai um, fecha a porta e só então o outro abre a porta e sai, caso contrário tudo que estiver dentro do carro sairá voando! Ao ver a força que a Luci fazia para se manter em pé, concluí que o vento estava realmente forte e que eu teria que filmar um possível tombo dela no pátio de estacionamento! (Perder esta “vídeo cacetada”, nem pensar!). Idéia meio sádica mas engraçada, pois afinal seria interessante vermos esta fita no futuro, bem instalados no sofá de nossa sala! Conseguimos sair de perto da S-10 e nos dirigirmos até a borda do estacionamento, de onde pudemos ver a cidade de Ushuaia em sua plenitude. O vento frio e intenso (põe intenso nisto!) fez com que permanecêssemos apenas uns poucos minutos do lado de fora do carro. Entramos e ficamos apreciando o barulho do vento, o balanço da camionete e as nuvens passando rápido em um céu azul lindo!
Voltamos para o hotel e procurei saber a intensidade de vento. Segundo o canal de meteorologia da TV local, o vento estava a 80 km/h com rajadas de 100 km/h. Fantástico! O interessante é que este vento forte não durou muito tempo (cerca de duas horas apenas). Aproveitamos o final de tarde para compramos alguns souvenires e conhecer em detalhes a rua principal do comércio local. Lindas lojas, Shopping Center, enfim não deve nada a nenhuma grande cidade. No final da tarde o tempo fechou, a temperatura baixou ainda mais (2ºC) e começou a chover. Voltamos para o hotel e fomos tratar de descansar, pois no dia seguinte iniciaríamos mais uma longa etapa, indo até Punta Arenas. Valeu Ushuaia! A cidade e os arredores compensam a viagem!
Neste dia rodamos 40 km de estrada de rípio.
Curiosidade: Porque o nome Terra do Fogo? Pois bem, pelo que lemos a respeito não é pelo colorido do por do sol ou algo parecido. Segundo consta, quando os descobridores da região, por volta do ano de 1550, ao se aproximarem do local onde hoje é a cidade de Ushuaia, não desembarcaram logo e, puderam observar que à noite, havia muitas fogueiras nas encostas e montanhas. Quando desembarcaram e foram explorar a região, descobriram que as fogueiras eram provocadas pelos índios que habitavam aquela área, com o intuito de se protegerem do frio! Daí o nome Terra do Fogo!
RESUMO DO DIA:
Estradas: Ruta 3 (Argentina)
COMBUSTÍVEL: 0.00
PEDÁGIO: 0.00
ALIMENTAÇÃO: 33.50pa = 39.69
HOTEL: 80.00pa = 94.40
OUTROS: 145.50pa =172.41
TOTAL(11): R$ 306.91
TOTAL GERAL: 306.90 + 1591.47 = R$ 1898.37

Esta é aprimeira parte. Veja a segunda parte no título " S-10 e Ushuaia - Uma Aventura Possível2"


Fotos:
   
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DICAS

Como Chegar: BR 116, no Brasil e Ruta 3, na Argentina, até a Terra do Fogo
Onde Ficar: Hoteis e pousadas diversas. Não há dificuldades
Outras Dicas: Para quem gosta de natureza, lugares bonitos e muita estrada pela frente!!

Nomad:
José Ferraz Oliveira
São Pedro da Aldeia,RJ
Idade: 63 anos
Quando ir:
Novembro a maio, para não pegar neve demais.

Melhores meses para ir:
MAR

Custo médio:
Barato - R$30/dia

Com quem fui:
Casal

Atividades:
 Montanha    Rios/Cachoeiras    Deserto    Esportes Radicais    Caminhadas    Fotografia    Cultural    Gastronomia  



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